Pular para o conteúdo
Entre Turnos

Como o mapa é feito

A pergunta

De onde veio o voto que Lula ganhou do 1º para o 2º turno de 2026? Quem tinha se abstido, quem anulou ou votou branco, e quem tinha escolhido Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos ou outros candidatos no 1º turno. O site responde com uma estimativa nacional de quanto veio de cada origem e mostra, como apoio, onde Lula cresceu em cada local de votação e que perfil de território acompanha esse crescimento.

De onde vieram os votos: a estimativa por seção

Não existe registro de como cada pessoa votou nos dois turnos. O que existe é o resultado de cada seção eleitoral nos dois turnos. Com os resultados de todas as seções do país, dá para estimar que fração de cada posição do 1º turno (abstenção, branco, nulo, cada candidato) foi para Lula, para o adversário, para branco e nulo ou para a abstenção no 2º. Isso se chama inferência ecológica.

A estimativa principal supõe que essas frações são iguais dentro de cada município (efeito fixo de município) e estima todos os destinos juntos, para que cada linha some 100%. Os intervalos de 95% vêm de bootstrap. Uma segunda versão, que tira a média das frações estimadas município a município, serve de checagem. Os limites de Duncan e Davis, que não dependem de nenhuma suposição, mostram a faixa possível de cada fração.

Votos em milhões são a fração estimada vezes o tamanho da origem. São estimativas sobre lugares, não contagens de pessoas. Se dentro de um município quem se absteve num bairro se comporta diferente de quem se absteve em outro, a estimativa erra, e é por isso que ela vem com intervalo e com a versão de checagem.

O número do mapa

Para cada local de votação, calculamos a parte dos votos válidos que foi para Lula no 1º e no 2º turno de 2026. A variação é a diferença entre os dois, em pontos percentuais

dos votos válidos. Votos brancos e nulos ficam de fora. No 1º turno havia vários candidatos, então a variação inclui os votos de candidatos que saíram da disputa.

Como ligamos os dois momentos comparados

Na comparação padrão (1º para 2º turno de 2026) o local é o mesmo nos dois turnos e a ligação é pelo código do local. Nas comparações entre eleições (por exemplo 2022 para 2026), ligamos pelo código, depois pelo endereço e, se ainda assim não der, pelas seções remanejadas. Locais que não conseguimos ligar ficam de fora.

De onde vem a variação sobre os aptos

A variação dos votos em Lula sobre todos os eleitores aptos é dividida em três partes que somam o total: comparecimento, brancos e nulos, e preferência entre os votos válidos. É uma conta sobre os totais de cada local (decomposição de Shapley). Não mostra eleitores trocando de lado nem quem deixou de votar.

O perfil do território

Cada local é ligado ao setor censitário onde está, pelo ponto no mapa. Do Censo 2022 vêm renda, alfabetização, idade e densidade do entorno. Bolsa Família, PIB por pessoa e o peso evangélico são do município inteiro, não do bairro. O IBGE não publicou religião por setor.

O modelo

Um modelo de árvores (gradient boosting) aprende a relação entre o perfil do território e a variação. Testamos o modelo em estados e municípios que ele não viu no treino e comparamos com atalhos simples (média da região e regressão linear). As barras de cada local usam SHAP, que diz quanto cada característica afasta a previsão daquele local da previsão média. SHAP descreve o modelo. Por isso as frases dizem "se associa a".

O que se associa à variação

Para cada característica medimos para que lado ela se associa à variação: a média do SHAP no quinto de locais com o valor mais alto menos a do quinto com o valor mais baixo, em pontos. O intervalo de 95%

vem de um bootstrap que sorteia municípios. Só mostramos, aqui, no painel e nos perfis, as características em que esse intervalo não inclui o zero e a diferença tem pelo menos o tamanho mínimo indicado abaixo. As demais ficam de fora, mesmo quando têm dado.

Carregando.

Variação alta não é sinal de fraude

Variação alta não é indício de fraude. Ela costuma vir de mudança de seções entre eleições, troca do código do local, eleitorado pequeno ou mudança real de voto no entorno. A urna eletrônica e a totalização têm auditoria própria do Tribunal Superior Eleitoral (teste público de segurança, teste de integridade no dia da eleição, boletim de urna público). Este mapa não audita a eleição e não serve para isso.

Veja como o TSE audita a eleição (página oficial do TSE).

Médias de perfis e destaques são ponderadas pelo número de eleitores aptos do local no 2º turno.

Limitações

Números da avaliação atual

R²

Carregando.

Notas explicativas

Como nós erramos

Todo modelo erra. Aqui estão os números de quanto este erra, atualizados a cada nova versão. Se algum número piorar, ele continua aqui.

Carregando.

Baixar os dados

Os dados são abertos. Use, confira e refaça a conta.

Arquivos

O que vem em cada linha

Uma linha por local de votação, com município, endereço, coordenada, o voto em Lula nos dois momentos comparados, a variação em pontos percentuais dos votos válidos, o perfil do território e a contribuição de cada fator no modelo. O dicionário de dados explica cada coluna. Locais com menos de 50 eleitores vêm sem nome e sem coordenada.

Fontes originais

Votação e comparecimento por seção e cadastro de locais de votação: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Portal de Dados Abertos. Perfil do território: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo 2022 e PIB dos municípios. Bolsa Família: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

Licença

Dados e textos sob CC BY 4.0: pode copiar, adaptar e republicar, inclusive para fins comerciais, desde que cite a fonte. O código-fonte está sob a licença Apache 2.0.

Como citar

Maia, Maria Alice (2026). Entre Turnos: de onde vieram os votos de Lula no 2º turno de 2026. Versão <versão do modelo>. https://entreturnos2026.pages.dev. Acesso em <data>.

Cite também as fontes originais (TSE e IBGE).

BibTeX